Três notas sobre a Marés

03/05/2019
_____

Nota dos editores

Toda sexta, MemeNews publica uma edição especial, em parceria com ONGs, institutos e agências. A de hoje, sobre a vida na Maré, teve curadoria e edição da Redes da Maré.

Violência acima da média

A Maré é alvo frequente de ações policiais contra o tráfico de drogas e armas, o que acaba por sujeitar a população a riscos. A terceira edição do Boletim pelo Direito à Segurança Pública da Maré, lançada em fevereiro, revelou que em 2018, o conjunto de favelas teve mais mortes causadas pela polícia que a média da cidade do Rio de Janeiro (foram 13,7 mortes por 100 mil habitantes na comunidade, contra, 8,4 no resto do Rio). Ao todo, 24 pessoas morreram em conflitos (19 pela polícia); as escolas ficaram 10 dias sem aulas em razão dos confrontos. Os dados foram coletados pela Redes da Maré a partir de relatos de moradores, informações da imprensa e boletins do poder público.

Quer saber mais?
Leia o 3º Boletim pelo Direito à Segurança Pública da Maré

Vitória na Justiça

Em 2017, as 14 comunidades do bairro da Maré entraram com uma Ação Civil Pública contra o Estado do Rio de Janeiro, exigindo que as forças de segurança sigam um plano para que direitos da população sejam preservados durante operações de segurança. A iniciativa surgiu depois que uma ação do Bope e do Batalhão de Choque, em junho de 2016, fez com que milhares de pessoas ficassem ilhadas em suas casas, dada a intensa troca de tiros. A ação foi acatada em junho de 2017, com o apoio da Defensoria Pública, e agora o Governo do Estado tem que seguir uma série de procedimentos, como só cumprir mandados de busca e apreensão durante o dia, e enviar uma ambulância durante as operações policiais.

Quer saber mais?
A Polícia aparentemente violou a decisão judicial e realizou uma operação de madrugada na Maré

Balas nada perdidas

Uma diretriz do governo anterior proibia que a Polícia Militar do Rio disparasse rajadas de tiros de helicópteros. Mas como o governador Wilson Witzel anda dizendo, faceiro, que a PM tem usado snipers, não é de se estranhar que os ataques aéreos tenham voltado a ocorrer em favelas do Rio. Em janeiro, moradores relataram barulho de tiros vindo de um helicóptero, durante uma operação na Maré. Em fevereiro, uma operação da Polícia Civil usou o mesmo expediente covarde, e os moradores chegaram a filmar a ação de um desses “caveirões voadores”. Em março foi a vez do Complexo do Alemão registrar o terror aéreo. Vale lembrar que as polícias do Rio têm batido recordes de letalidade.

Quer se manifestar?
Questione o governador, Wilson Witzel
https://twitter.com/wilsonwitzel

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.