Três notas sobre cidadania na internets

19/07/2019
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Nota dos editores

Toda sexta, MemeNews publica uma edição especial, em parceria com ONGs, institutos e agências. A de hoje, sobre segurança e cidadania na internet, teve curadoria e edição da SaferNet.

Quem tem fake tem medo

No começo deste mês, o Congresso Nacional aprovou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar agressões em ambiente virtuais – causadas, em grande parte, por bots e perfis falsos que disseminam notícias falsas. A comissão deve investigar a denúncia feita pela Folha de que empresários pagaram R$ 12 milhões em uma campanha, no WhatsApp, de difamação do PT e apoio a Bolsonaro (o que viola a lei eleitoral, por se tratar de doação não declarada). Talvez por isso o PSL, partido de Bolsonaro – e de parlamentares bastante afeitos ao uso de redes sociais -, esteja tentando evitar a CPI. Depois de perder no Congresso, o partido entrou com um mandado de segurança no STF para impedir a instalação da comissão. O requerimento do deputado Filipe Barros (PSL-PR), que ainda não foi julgado, alega que a CPI não tem um objeto “minimamente definido”.

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Criminalizar as fake news não resolve o problema inteiramente

Não deixe o seu like

Nesta semana, o Instagram começou a retirar, no Brasil, o número de likes que uma foto recebe (o dono do perfil ainda poderá ver as curtidas de suas fotos, mas não verá mais os milhares de likes amealhados, por exemplo, pelo cachorro de Gracyanne Barbosa). A ideia é diminuir o clima de competição, de forma a tornar o ambiente da rede menos tóxico (para exemplo de comportamento tóxico em redes sociais, favor consultar este tuíte). Faz sentido: só no primeiro semestre de 2019, o Helpline, canal de ajuda do SaferNet, atendeu 2.061 chamados – 408 deles envolvendo questões relacionadas à saúde mental dos usuários da rede.

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Nesta semana, uma influenciadora digital cometeu suicídio depois de casar consigo mesma

Um bot contra o racismo

Em 2018, as denúncias de crimes e violações de direitos humanos na internet cresceram 110% em comparação com 2017. Os dados são da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. Para tentar tornar o ambiente virtual menos violento (especialmente contra minorias), a SaferNet criou o SaferLab, iniciativa em parceria com o Google.org e a Unicef Brasil que apoiou 14 projetos. Um deles é o bot Dandara, que sugere termos mais brandos toda vez que identifica uma expressão de fundo racista (“denegrir”, por exemplo, vira “injuriar”). Outro é um banco de imagens LGBT livre de estereótipos – iniciativa importante, dado que certas pessoas públicas já publicaram vídeos grotescos na tentativa de estigmatizar toda uma população. Os projetos ainda estão em fase de produção.

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Em 2018, a proliferação de discursos de ódio em ambiente virtual ganhou uma escala maior, especialmente por motivações políticas

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.