Três notas sobre o meio ambientes

31/05/2019
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Nota dos editores

Toda sexta, MemeNews publica uma edição especial, em parceria com ONGs, institutos e agências. A de hoje, sobre direitos humanos e meio ambiente, teve curadoria e edição da Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente, a AIDA.

Frackudo

Você já ouviu falar em fracking? Trata-se de uma técnica de perfuração do solo, para injetar um fluído que eleva a pressão das rochas, fraturando-as até que liberem o xisto, um gás usado como combustível. Em 2009, o governo leiloou os primeiros blocos de extração de xisto com essa técnica de fratura hidráulica, e hoje há campos de exploração em nove estados, no Norte e no Nordeste. Só que a técnica tem sérias consequências para o meio ambiente, como a emissão de metano, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global, além, claro, do risco de tremores de terra. Se não bastasse, o fracking despeja produtos tóxicos no solo, como urânio, mercúrio e metanol – o que pode acabar por contaminar o lençol freático (e a água) de rios como o São Francisco. Em função disso, uma coalizão formada por ambientalistas, cientistas, geólogos, hidrólogos, engenheiros, biólogos e gestores públicos criou a Campanha Não Fracking Brasil, que já conseguiu proibir o fracking em dois estados.

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A ONU já chamou atenção para os riscos do fracking

Quer saber como anda a luta contra a adoção da técnica?
A AIDA levou a discussão sobre fracking à CIDH, além de elaborar um mapa do fracking na América Latina

O risco do hidro

Existe uma percepção falsa de que as usinas hidroelétricas não poluem, já que a tecnologia não utiliza derivados do petróleo. Mas a construção de uma hidroelétrica tem um custo ambiental (é necessário desmatar uma região enorme para a construção do reservatório) e social (muitas pessoas acabam sendo deslocadas de suas casas – e, não raro, até de suas cidades). Além disso, a decomposição do material orgânico no fundo das represas emite dióxido de carbono, óxido nitroso e metano,  gases que contribuem para o aquecimento global. Em função disso, a Aida ajudou a formular um documento  explicando que as hidrelétricas desrespeitam o Acordo de Paris, devastando comunidades que já eram vulneráveis. O caso mais conhecido, de Belo Monte, resultou no desvio de 80% da vazão do rio Xingu, além do deslocamento forçado de 40 mil pessoas.

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O ISA tem uma seção inteira dedicada a Belo Monte

Em defesa dos 2%

Ao assumir a presidência, Jair Bolsonaro prometeu que seu governo não iria demarcar “nem mais um centímetro de terra indígena” – promessa que vem sendo cumprida desde o primeiro dia do ano, quando a Funai passou para o comando da bancada ruralista (o que foi visto como inconstitucional pelo Ministério Público Federal). E por que Bolsonaro tem tanto ódio dos povos indígenas? Talvez por que eles façam um trabalho – o de preservação – que deveria caber justamente ao governo. Entre 2000 e 2014, 19% da área de floresta da Amazônia Legal foi desmatada, ante um percentual de 2% nos territórios indígenas. Para contrapor essa pressão do governo – e tentar manter o percentual baixo – a Aida entregou um documento à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos explicando em detalhes a gravidade da situação.

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O SOMAI é uma plataforma online com dados para monitoramento das Terras Indígenas

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