Eu, tu e Tuvalus

12/08/2019
_____

Somos todos Tuvalu

Você conhece Tuvalu?

Tuvalu é uma ilhota, na Oceania, que tem a impressionante população de 11 mil habitantes (sim, um país de 11 mil habitantes).

E você sabe o que o desmatamento crescente da Amazônia tem a ver com Tuvalu?

Tudo, já que as árvores da Amazônia são responsáveis por sequestrar grande parte do dióxido de carbono presente na atmosfera. E tome efeito cascata: mais dióxido de carbono resulta em mais calor, que resulta no derretimento das calotas polares, que resulta no aumento do nível do mar, que pode resultar no desaparecimento de certas ilhas e cidades litorâneas. E aí entra o futuro de Tuvalu (e também de Florianópolis, Recife,  Salvador – que não por acaso, sedia a Climate Week a partir da próxima segunda-feira).

A Climate Week é um evento organizado pela ONU, que vai funcionar como uma espécie de pré-jogo para a Cúpula do Clima, a COP 25, que ocorre em novembro, no Chile. Pré-jogo porque a Semana do Clima é uma feira de negócios, voltada a empresários, gestores públicos e integrantes da sociedade civil interessados em pautas como crédito de carbono e energia renovável.

Já a COP 25 é o jogo oficial, onde os chefes de Estado tentam firmar acordos para evitar – ou ao menos mitigar – o cenário catastrófico que se avizinha (aliás, não custa lembrar que a COP 25 ocorreria no Brasil, mas foi cancelada por iniciativa de Jair Bolsonaro, interrompendo assim uma tradição brasileira de liderança em discussões sobre mudanças climáticas).

Desde o século retrasado, quando a temperatura do planeta começou a ser aferida, a Terra esquentou 1,02º C. Parece pouco, mas esse pouco está diretamente ligado ao aumento da incidência de temporais e deslizamentos, como os que atingiram o Rio de Janeiro no começo do ano. Junho de 2019 foi o mais quente de todos os meses de junho já registrados na história (em Paris a temperatura chegou a impressionantes 46 ºC).

Aliás, Paris sediou, em 2016, a assinatura de um documento – o Acordo de Paris – para tentar evitar que o planeta aqueça mais de 2º C (um objetivo conservador e cada vez mais distante). Caso isso ocorra, haverá escassez de água potável, e boa parte das cidades próximas da linha do Equador vão ficar inabitáveis. Se a temperatura subir 3º C, a Europa vai viver uma seca permanente, e a crise de habitação vai se estender por regiões da África, da Austrália, da América do Sul e da Ásia. Segundo a ONU, de 200 milhões a 1 bilhão de pessoas podem se tornar refugiadas climáticas até 2050.

Daí a importância de haver uma discussão ampla sobre o aquecimento global, daí a tragédia que é o antiministro do Meio Ambiente cortar em 96% o orçamento para o combate à mudança climática, daí a tristeza que é o chanceler Ernesto Araújo tuitar que o ambientalismo é um complô das esquerdas para promover o “controle econômico e psicossocial”  (haja Haldol…).

Defesa do meio ambiente não é pauta ideológica, porque o que está em jogo, em última instância, é a sobrevivência da humanidade. O Tuvalu de hoje pode ser o Brasil de amanhã.

Quer saber mais sobre abusos e privilégios?
A piauí traduziu um longo texto do jornalista David Wallace-Wells sobre o cenário catastrófico que se avizinha

Quer acompanhar a Climate Week?
Veja a programação completa aqui

Quer saber quem anda se oferecendo para ser embaixador em Tuvalu?
O BolsozApp Herald sabe…

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.